Cartunistas e a arte do desenho

27/01/2019

A profissão de cartunista mudou muito com o passar do tempo. A tecnologia fez com que tudo se tornasse mais fácil. No entanto, a essência da charge continua a mesma tentando relatar assuntos relevantes de uma forma bem humorada. 

A história da charge e do cartunista no Brasil começou em 1836. Com um desenho de autoria de Manuel Araújo Porto-Alegre com um sentido político. Já em 1837, Manuel publicou uma caricatura no Jornal do Comércio. Nela, fazia sátira a um Inimigo. Em 2002, Ziraldo criou uma revista chamada Pasquim 21, que era composta por desenhos e caricaturas. Todos buscavam representar fatos que aconteciam no cotidiano da população.

Nos dias de hoje, as tiras têm várias funções como trazer um comentário político. Falar sobre acontecimentos da sociedade ou levar alguma ironia do futebol. Além de poder trabalhar na questão publicitária e também no entretenimento. No Brasil, existe uma grande diferença entre Chargista e Cartunista.

"O Cartunista é o crítico de costume, enquanto o Chargista trata de questões políticas. Acredito até que, as charges são usadas por professores para representar a história", analisa Carlos Henrique Latuff, chargista e ativista político carioca afirmou em entrevista ao Tá na Pauta por telefone.

Tiras e tecnologia .

A tecnologia facilitou demais o trabalho de um cartunista. O desenho pode ser realizado em um computador. No entanto, a essência continua com o trabalho em lápis.

"Mudou na parte da pré-impressão e impressão. Qualquer correção ou retoque deveria ser feito antes. Mas, a forma de produção da tira não muda muito. Continuo fazendo em papel, lápis e "arte finalizando" com nanquim e bico de pena", comenta Carlos Iotti, cartunista do Jornal Pioneiro e da Zero Hora entrevista ao site Tanapauta.

O cartunista caxiense está a mais ou menos um ano e meio morando em Miami, mas continua produzindo seus desenhos para os jornais aqui do Rio Grande do Sul. A ideia é se capacitar e procurar novos horizontes. Se especializando em charges ligadas à ficção cientifica e aos quadrinhos. Já que, desenhos ligados à política nacional estão saturados, pelo grande número de chargistas que os produzem.

Confira uma arte feita pelo cartunista 

O humorista caxiense acredita que mesmo longe é possível se inteirar sobre o que acontece no Brasil. "Depois da internet não existe mais distância. O problema é o retorno do dia a dia. Mesmo assim, existem as odiosas "redes sociais". Dá pra ter uma ideia para que lado ir", comenta Iotti.

Processo de criação

A criação e elaboração de uma charge ou tirinha pode demorar uma hora ou até dias. Nesse processo, o primeiro passo é definir o tema a tratar e ver que pontos podem ser traduzidos para desenho. Muitas vezes, essa definição pode demorar dias. Se a produção é diária, é necessário que o tema seja mais livre e dê mais facilidade ao cartunista. A maioria das produções trata de assuntos do cotidiano.

"A charge é de tema livre. Uma boa ideia é fazer com que case com o foco do jornal, manchete, ou assunto comentado no cotidiano. Mas quando quero incomodar, fujo do tema do jornal. Quando têm coisas que estão afetando a população, como algum erro da prefeitura, ou coisa do tipo, esse é meu tema", ressalta Charles Segat, chargista do Jornal Pioneiro em contato ao Tá na Pauta

Observe uma das últimas charges que ele fez para o Jornal Pioneiro


"Nas charges tento emitir uma opinião forte. Não apenas um desenho de humor. E no trabalho de ilustrador, além de passar a mensagem, procuro fazer com que minha identidade seja expressa", finaliza Segat.

Chargista e ativista

Na imprensa sindical, também existem pessoas responsáveis por charges e tirinhas. Um exemplo disso é o carioca Carlos Henrique Latuff, chargista e ativista político. Durante toda sua vida, Latuff foi ligado às questões sindicais e políticas, sendo um dos principais nesta área. Seu primeiro trabalho como chargista foi um desenho publicado na revista do Sindicato dos Estivadores em 1990.

"Existe, sim, uma diferença. Mas, ambos têm suas pautas e isso devemos tomar como base. Sempre terá uma linha editorial, então o chargista tem uma liberdade em termos. Porque a imprensa sindical também tem seus interesses", observa Latuff sobre a diferença entre a mídia tradicional e a sindical.

Em 1999, após uma viagem ao território da Cisjordânia. Latuff se aproximou da causa palestina e passou a dedicar boa parte de seu trabalho ao tema. Em 2006, participou do Concurso Internacional de Caricaturas sobre o Holocausto, que foi organizado pelo Jornal Iraniano Hamshahri. Nesse concurso, o carioca ficou com a segunda posição.

"Por o evento ser totalmente ligado ao tema holocausto. Eu decidi em minha charge tratar sobre o Holocausto que aconteceu com os Palestinos", finaliza o chargista e ativista político.