A arte da música e sua importância no desenvolvimento da criança

27/01/2019

A música nos primórdios das civilizações serviu como meio de comunicação entre os homens. Acreditavam também que por meio dela, seus louvores e anseios chegariam aos deuses.

Este poder mágico foi preservado. Os sons musicais organizados em suas diversas manifestações nos transportam para lugares, nos aproximam de pessoas até distantes, nos remetem a situações marcantes de nossas vidas.

Durante séculos a música foi associada exclusivamente à atividades religiosas. Lentamente adquiriu seu lugar fora dos templos e evolui em suas práticas.

Com a estruturação da sociedade, através dos tempos, a música pontua valores. Filósofos referem-se a ela como necessária ao equilíbrio interior do ser humano.

No século XX, após a primeira guerra é que educadores e especialistas em saúde iniciaram certa investigação sobre os efeitos da música nas pessoas.

Emile Jacques-Dalcroze, nascido em Viena em 1865 e falecido em Genebra em 1950, utilizou-a na recuperação de pessoas com distúrbios decorrentes da guerra, associando gestos ao fraseado musical. Sem contudo ser dança, criou a "Eurítmica", isto é, uma ginástica rítmica que segundo ele "visa criar com o auxílio do ritmo, uma corrente rápida e regular de comunicação entre o cérebro e o corpo, e a tornar o sentimento do ritmo uma experiência física".

A partir de Dalcroze, uma série de músicos professores desenvolvem práticas musicais e paulatinamente integram-na à educação das crianças.

Com o posicionamento de Jean Piaget, (1896 - 1980), diante das fases do desenvolvimento da criança a educação musical passa a ser objeto de estudo para educadores, principalmente, aqueles com formação musical.

Nota-se que a prática musical com crianças extrapola a atividade em si mesma, tornando a criança mais receptiva, inclusive para absorver novos conhecimentos.

Foram surgindo, inclusive no Brasil, nomes importantíssimos que passam a desenvolver linhas de atuação relativas a vivências musicais infantis.

Porém, só no final do século XX foi possível medir realmente a interferência da música no desenvolvimento da criança. Pesquisas comprovam o que até então era tratado de forma empírica.

A música desenvolve habilidades e estabelece competências em crianças na primeira infância, como a sensibilidade e a percepção, a fala e consequentemente a escrita, a concentração, a memória, a sociabilidade, a segurança, a facilidade para o aprendizado de línguas estrangeiras, a coordenação motora e o raciocínio pontuando a colocação de Dalcroze em relação a comunicação entre cérebro e corpo.

A iniciação musical desde a mais tenra idade, e isto quer dizer desde o ventre materno, prepara o bebê para sua chegada à vida. Colabora para a educação integral da criança, apoia o adolescente e realiza o adulto. O processo de musicalização interioriza o senso rítmico e auditivo e a música acontece de dentro para fora.

Nem todos serão músicos ou terão ligação direta com a música. As crianças que tiverem um bom direcionamento musical serão ouvintes mais críticos. Conseguirão filtrar com sensibilidade e conhecimento o repertório que nos chega pelos meios de comunicação e com certeza serão pessoas mais satisfeitas consigo mesmas pois a educação musical será sempre um diferencial favorável em suas vidas.